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A Vez dos Brancos

Quantas vezes ouvi bebedores de vinho dizer: "Vinho branco não é vinho". Pois é, muita gente desconsidera este tipo de vinho, achando que não é bom, que não se compara ao tinto. É uma pena enorme ouvir isso num país quente como o Brasil, que deveria, portanto, ser um grande consumidor deles. O vinho branco pode ser tão ou mais complexo que um tinto, vai depender de qual branco e qual tinto estamos usando como referência. O brasileiro aprendeu a tomar basicamente com os europeus. Como lá faz mais frio, o hábito de tomar tinto é mais comum. A produção de tintos inclusive é maior. Muitas vezes nem se importam com o que vão comer, simplesmente tomam tinto. Esse tipo de hábito foi trazido para o Brasil e, de certa forma, apesar de ligeiramente adaptado, prevalece. Grandes consumidores de vinho ainda preferem o tinto ao branco. Assim como os europeus, independentemente do que vão comer, tomam tinto. Mas não só a gastronomia é fator na hora de pensar em escolher um branco a um tinto. Vivemos num país quente. Estamos acostumados a tomar cerveja gelada. Por que não tomar um branco no lugar da loira de sempre? Situações como estar à beira da piscina, mesmo na praia, em um barzinho na calçada são oportuníssimas para tomar um bom branco. Pode ser consumido bem gelado, no caso dos mais leves, ou apenas frio se escolhemos algum tipo de branco mais complexo (uma temperatura ligeiramente mais elevada permite que expresse seus aromas de forma mais pronunciada). Além de ser gostoso, sempre é motivo de discussões interessantíssimas em torno de suas linhas aromáticas, que beiram o poético. Os brancos podem apresentar os mais diversos tipos de aromas. Os sauvignon blanc costumam apresentar notas frescas de frutas como o maracujá e o abacaxi, e os da região clássica de Sancerre, no Vale do Loire, também apresentam notas minerais de giz e cal. Já a famosa chardonnay nos dá maçã, algumas frutas cítricas como grapefruit ou casca de laranja, mel, amêndoas, notas tostadas como toffee, côco, baunilha, e assim vai. Depende, claro, que tipo de vinho é e como e onde foi produzido. Outros exemplos de aromas que encontramos nos diversos brancos são os florais (jasmim, rosa branca), os fresquíssimos herbáceos (mato cortado, erva doce), e naqueles que passaram por barricas de carvalho achamos as notas das frutas mais maduras, mais cozidas, e como já citei, mel, até chegar nos caramelos, cocada preta. Esses exemplos de brancos mais complexos acompanham tranqüilamente uma gastronomia mais elaborada, com molhos, e até as carnes mais delicadas como as de vitela ou cordeiro. Os mais delicados podem ir com os peixes crus ou pouco elaborados como sushis, sashimis, tartares de peixe. As massas com molhos simples, nos dias de calor, são ótimas companhias para uma garrafa de branco. Os brancos são aromaticamente mais delicados e por isso poderíamos classificá-los de carentes, já que necessitam de um pouco mais de atenção, mas acho que eles merecem esse olhar extra sobre eles. Não há porque resistir mais a esses branquelos, compre uma garrafa, sirva um copo bem fresco, aproxime seus sentidos e não espere mais: renda-se aos seus encantos.

Fonte: Alexandra Corvo - http://vejasaopaulo.abril.com.br

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